Wednesday, 8 February 2012

'MARIDO DE MULHER BOA' - 1960

If I had to choose a Brazilian musical-comedy that epitomizes all that is good in the genre I think I would pick J.B. Tanko's 'Marido de mulher boa' (Husband of a sexy wife). It's got Zé Trindade, one of the best comedians in the land with a wonderful sidekick in the person of Italian actor Otelo Zeloni. Beautiful women abound with at least 2 stunning show-girls (Renata Fronzi & Lilian Fernandes) besides Paulete Silva who plays a show-girl in the plot not to mention Isa Rodrigues who started as a child-star and went on to be a show-girl in the early 1950s. 

As to the younger set you've got charming Luely Figueiró at the peak of her beauty who's involved with handsome Celso Faria who would go on and work at Italian spaghetti westerns later in the decade. 

As to 'bad men' you had Renato Restier being slapped in the face by Paulete Silva, plus ubiquitous Wilson Grey playing a sinister knife-throwing man. 

And when it comes to music you gather the best specimen in the land; Sylvia Telles who was arguably the best bossa-nova female singer ever; Lucio Alves, one of the smoothest voices around; Juca Chaves who could be sarcastic and romantic at different times; 

As backdrop to the plot you have a high-society fashion-house owned by Zé Trindade & Zeloni. Most of the action happens on a Hollywood-style curved stairway where beautiful models descend to show their wares... 

The upshot of the plot is to place a womanizer (Ze Trindade) as the boss of a fashion-house where he is in contact with stunning women the whole day. He ends up impotent in the midst of so many women... he can't even satisfy his own wife who stays neglected at home being wooed by Zeloni her former sweetheart. 

Anacleto buys a lottery ticket and divides it in four parts (gasparinos) and give each one to four different women: Sofia, an actress just back from Paris who's Arminda's best friend; Suely, a pretty seamstress who works at the fashion-house; Marlene, a show-girl who's a customer at Pardal & Pardal and the fourth bit goes to Virginia, whose husband is in the knife-throwing business. 

Sofia ends up telling her dear friend Arminda that her husband had given her a fourth of the sweepstake... Soon, Arminda finds out about the other three pieces and their recipients... 

so many women around but Anacleto can't satisfy even his own wife Arminda (Renata Fronzi).
even though it's a high-society fashion-house Zé Trindade makes a speech reminiscent of 1950s Brazilian politicians...
around those staircases is where the action happens... 
beau monde fashion... 
it's a wonderful world at Pardal & Pardal (Trindade & Zeloni's high-fashion house) 
Trindade ponders his chances... 
Isa Rodrigues & Zé Trindade
Anacleto (Ze Trindade) opens the fashion-show with a politician-style speech.
Zeloni does a balancing act...
and is gladly helped out by his staff...

dona Augusta surprises Anacleto in some not dignified position with a dummy... 
Ze Trindade is in  his element in the women's underwear department... 
the first 'gasparino' goes to Sofia (Lilian Fernandes) just back from Paris... 
there goes the second 'gasparino' into Marlene's breast (Paulete Silva).
the 3rd 'gasparino' goes to Virginia (Isa Gonçalves) whose husband (Wilson Grey) deals in knifes... 
Suely (seem here with dona Augusta, her jealous supervisor) has got the 4th 'gasparino'...

'Marido de mulher boa' - 1960.
30 November 1960 - Zé Trindade & Renata Fronzi star in 'Marido de mulher boa' which opens in Rio de Janeiro at Cine Metro... 
6 December 1960 - After playing at Cine Metro for a week, J.B. Tanko's comedy continued its run at 19 movie houses throughout Rio's metropolitan area. 

De uma idéia de J. B. Tanko e Herbert Richers nasceu esse filme rodado em 1960 e lançado em Janeiro de 1961, com direção e roteiro de J. B. Tanko. 

Zé Trindade - Anacléto
Renata Fronzi - Arminda
Otelo Zeloni - Frederico
Renato Restier - Leal 
Luely Figueiró - Suely 
Lilian Fernandes - Sofia
Darcy de Souza - dona Augusta
Celso Faria - Sérgio

Wilson Grey - Tenório
Isa Rodrigues - Virginia
Paulette Silva - Marlene
César Viola - Giovanni
Billy Davis - homem rude
Lys Marques - Mário
Paulo Rodrigues - Luiz

Um estudo interessante sobre satiríase - um homem mulherengo casado com uma mulher considerada 'boa' por todos. Ele, no entanto, não se contenta com uma, mas quer todas as mulheres do mundo...

Sócio de uma casa de alta costura, Anacleto é um galanteador que encanta todas suas clientes e funcionárias. Apesar de casado, ele pouco se importa com a esposa e vive a marcar encontros escondidos com outras mulheres, causando muitas confusões.

Anacleto (Zé Trindade) e Frederico (Zeloni), amigos e sócios na firma Pardal & Pardal, casa de modas de alta-costura, compram um bilhete do 'sweepstake' em sociedade, cedendo à insistência do bilheteiro Giovanni (Cesar Viola).

Anacleto, casado com Arminda (Renata Fronzi), ex-atriz de teatro que o preferiu em detrimento de Frederico. Mesmo Arminda sendo uma mulher 'boazuda', Anacleto continua o sujeito mais mulherengo do mundo e ainda atrapalha as conquistas do sócio solteiro. E é nessa ânsia de querer todas as mulheres, que o nosso herói, não fazendo a mínima fé no bilhete comprado, distribue-o com quatro mulheres, na esperança de conquistá-las.

As prediletas 

A primeira é Suely (Luely Figueiró) uma das costureiras da loja, cujo noivo Sérgio (Celso Faria), cria um caso com seu excessivo ciúme, desmanchando o noivado e desfazendo o sonho da moça.

A segunda é Marlene (Paulette Silva), vedette de um show de boite e ligada à Leal (Renato Restier), malandro, leão-de-chácara e aproveitador de situações fáceis.

A terceira é Virginia (Isa Rodrigues), uma manicure, casada com Tenório (Wilson Grey), ex-atirador de facas, já retirado da profissão, por ter errado o alvo, e presentemente caixeiro-viajante - portanto, sempre ausente de casa.

A quarta é Sofia (Lilian Fernandes) uma atriz, muito amiga de Arminda e antigo romance de Frederico, recém-chegada da Europa, onde esteve durante quatro anos.

Sorte Grande

Para sorte de Frederico e azar do Anacleto, o bilhete é sorteado para 'Royal Pangaré', cavalo azarão, sem possibilidade de vencer. Frederico, ante a possibilidade de riqueza, vai, entusiasmado, dar a notícia a Arminda, sem, no entanto, saber que seu sócio já não tem mais o bilhete, que ele dividiu em 'gasparinos' e entregou às suas 'preferidas'... deixando-o assim em maus lençóis.

Têm início, então, as peripécias de Anacleto, quando, por azar, o cavalo azarão entrou em primeiro lugar e o bilhete é premiado com a sorte grande.

Arminda quer a todo custo ver a metade do bilhete do marido. Desesperado, ele tenta reaver todos os gasparinos premiados, o que dá ensejo aos momentos mais hilariantes do filme.

Renata Fronzi & Zé Trindade play wife & husband...
Anacleto runs around a piece of arse the whole day... at home he reads the paper and ignores his wife...
Arminda (Renata Fronzi), the neglected wife is wooed by Frederico (Zeloni), her former sweetheart.
Sofia (Lilian Fernandes) does her Paris night-club act accompanied by Raul de Barros Orchestra.
gorgeous Lilian Fernandes is disputed by both partners... 
Isa Rodrigues plays Virginia... married to knife-thrower...
Wilson Grey, the knife-thrower really means business... 'Tenório', personagem baseado em Tenório Cavalcanti, político-coronel-cafajeste do Espírito Santo, famoso por andar sempre armado com sua metralhadora, vulgo 'Lourdinha'.
Tenorio surprises Virginia with a Portuguese fellow... 
things get all tangled up when Tenorio returns and finds the 2 men in his wife's flat.
they tell Tenorio they came to fix up the telly... so they had to prove it to him or else...
the wife does what she can to retrieve those 'gasparinos'... 
Marlene gives her man (Renato Restier) the right treatment; dona Augusta (Darcy Souza) is jealous of Suely.
Suely (Luely Figueiró) sings Sergio Ricardo's 'Relógio da saudade'.
Sylvia Telles sings Carlos Lyra's 'Se é tarde me perdoa'.
Lucio Alves waits for Paulete Silva to finish her number and sings 'A vizinha do lado'. 
Juca Chaves sings barefooted and is followed by his audience too... 
Juquinha sings his best song ever 'Por quem sonha Ana Maria?'

musical number on 'Marido de mulher boa' 

'A vizinha do lado' - Lúcio Alves
'Por quem sonha Ana Maria?'  - Juca Chaves
'Kanimambo' - Aracy Costa
'Se é tarde me perdoa' (Carlos Lyra) - Sylvia Telles
'Relógio da saudade' (Sergio Ricardo) - Luely Figueiró

e outros números interpretados por:
Lilian Fernandes  e Zé Trindade acompanhados pela Orquestra de Raul de Barros. 
direção musical: Lirio Panicalli.


 Zé dá um 'gasparino' para Luely, sob o olhar furioso de dona Augusta.

comentários:

Vendo trechos do DVD de 'Marido de mulher boa' se nota como a narrativa é dinâmica e não deixa nada a desejar ao passo corrido comum aos filmes feitos em Hollywood, California. O que os críticos da comédia musical brasileira não atinavam em suas pretenciosas colunas em jornalões colonizados culturalmente, é que o produto nacional tinha adquirido um estilo eficaz que prendia a atenção das multidões que acorriam às salas de cinemas espalhadas pelo continente brasileiro. A comédia-musical nacional, chamada erroneamente de 'chanchada' pela 'inteligentsia' local ('burritze' seria mais apropriado), era consumida pelas massas, algo impensável nos dias de hoje.

Zé Trindade é brilhante em seu tipo maroto-cafajeste, que foi minuciosamente desenvolvido através dos anos em programas radiofônicos, em que Zé era imensamente popular. Zé tinha uma impostação toda própria e consciente de que o discurso é para ser entendido pelo público cinéfilo e ao mesmo tempo não pode deixar a ação diminuir de intensidade.  Trindade tinha a manha do político populista que sabe que tem que agradar ao maior número de eleitores possível, sempre tendo uma tirada filosófica do tipo, 'estou mais por fora que olho de sirí' ou 'estou mais por fora que umbigo de vedette'.

A parte final parece que foi feita sob medida para o talento especial de Luely Figueiró. Nos minutos finais, a 'mocinha' chega bem-vestida à casa-de-modas. Dona Augusta, já pronta para lhe esculhambar, tem que engolir seco quando Suely diz: 'Hoje estou aqui como cliente! E quero ser atendida pela gerente!'

Na cena seguinte Suely aparece vestida de noiva, mas muito triste, vai subindo as escadarias, pensando no amor que perdeu... De-repente aparece Sergio (Celso Faria), segura-a em seus braços e o 'happy ending' já se configura no horizonte.

Suely agradece a Anacleto a chance de poder ter ganhado uma grana com o gasparino. Anacleto quer apenas uma beijoca do brôto, mas nesse momento aparecem Arminda e Sofia, já donas da situação e fazem todas as moças se enfileirarem para beijar [na face] o baixinho arretado. Dona Augusta fica no fim da fila, Zé Trindade olha p'ra câmera e diz p'ra platéia: 'A dona Augusta eu deixo p'ra vocês, tá?' 

Cafajeste até o último instante...  FIM.

Sergio (Celso Faria) gets pissed off when he learns about the 'gasparino' Suely (Luely Figueiró) took as a gift from Anacleto... as Frederico (Zeloni) passes out on the sofa. 
there goes the 'gasparino'... 
later on things are coming to a happy end...
Anacleto tries hard to get a little peck from Suely but is prevented by Frederico...
the bride is taken away by Sergio on a lambretta...

MARIDO DE MULHER BOA (BRASIL, 1960) – de J.B. Tanko. Em seu quinto filme, Zé Trindade está a vontade no papel de um galanteador pitoresco, sócio de uma luxuosa casa de modas junto com Zeloni, que faz muita confusão ao dividir um bilhete do "Sweepstake", que julgava não ser premiado, com quatro moças para tentar uma conquista. Aqui, temos Zé Trindade do jeito que o diabo gosta: cercado de mulheres e batendo um bolão com Zeloni.
cartaz do filme em cinema do Rio.
things are getting rought at Pardal & Pardal - Alta Costura. 
Zeloni aims a punch at Zé Trindade but ends up hitting dona Augusta (Darcy de Souza).
technicians show the extras how to play... 


Billy Davis roughs up Zé Trindade; Otelo Zeloni inter-acts with a mannequin.
Pardal & Pardal taking care of business...
Fashion is our business at Pardal & Pardal...

Tuesday, 31 January 2012

'Rio Fantasia' - 1956

31st December 1956 - Watson Macedo's 'Rio Fantasia' opens in São Paulo, on the last day of 1956. For some unexplained reason it opened in Rio, three months later. 
7 March 1957 - After 3 months 'Rio Fantasia' opens in Rio de Janeiro, too... 

RIO FANTASIA – 1956

Sinopse: três jovens músicos nordestinos (Trio Irakitan) e a irmã de um deles (Eliana) vem tentar a sorte no Rio de Janeiro. Com bom humor e muita música eles enfrentam as dificuldades da cidade. 


João Dias canta 'Salomé'
Angela Maria canta: 

"Rio Fantasia" tem pelo menos duas grandes fantasias-musicais comandadas pelo maestro Lyrio Panicalli. A primeira é o quadro descaradamente hollywoodiano de Eliana imitando Carmen Miranda cantando 'Baião' em inglês, que apareceu em 'Nancy goes to Rio' de 1950. Os trejeitos e a pronúncia de Eliana assemelham-se muito à de Miranda, inclusive com o 'caco' 'ca-room-pa-pa' que Carmen 'inventou' para os intervalos da musica de Humberto Teixeira.

Lia (Eliana) e  Gilvan (do Trio Yrakitan) 

O ambiente da pensão onde Lia e os três rapazes do Trio Irakitan se hospedam é francamente chegado a uma Broadway, pois, de-repente, quase do nada, alguém resolve cantar e já aparece um piano em rodinhas sendo empurrado para a sala principal. Os rapazes do Trio empunham seus instrumentos de percussão e 'the show is on the road' como se fosse um antigo musical da MGM dos tempos do 'Andy Hardy' com Judy Garland e Mickey Rooney. A dona da pensão é a 'stage manager' (diretora de palco) e uma das senhoras pensionistas toma comando do piano.

A fantasia-musical 'Rio' encenada no final é quasi-ufanista e apoteótica. A gente tem a impressão de que todo o mundo gosta do Rio... e que a cidade-maravilhosa é a coisa mais linda do mundo. 'Rio Fantasia' pode não ser uma obra-prima, mas é muito gostoso de se ver e ouvir.

João, Gil e Zezé, a empregada da pensão.

Menção honrosa deveria ser dada a participação de Renato Murce como o chefe da emissora de TV, que curte uma paixão secreta por Lia (Eliana, sua espôsa na vida real), mas sabe que tem pouca chance devido ao charme e juventude do guapo John Hebert (Carlos), que é o mocinho verdadeiro do filme.

Paulo Givan do Trio Irakitan, bem que tenta se tornar o namoradinho de Lia, mas muito embora ele fosse bem bonitinho, acaba perdendo para o John, que é um pão.

Murce, apesar de quarentão, tem um sex-appeal distinto, lembrando aqueles atores alemães do tipo Erich von Stroheim, que usavam monóclos e eram altamente sofisticados dos filmes yankees dos anos 30 e 40. Murce joga todo seu charme em cima da Lia quando pensa que ela tinha se desencanado do John, e está para declarar seu amor à moçoila quando ela, num rompante, revela que secretamente ainda ama Johnny. Murce é salvo de uma situação constrangedora, aproxima-se os pombinhos e o filme termina num ever-lasting happy ending – um final plenamente feliz. Os rapazes do interior ficam famosos na TV e a mocinha fica com o mocinho.

Renato Murce, o Erich von Stroheim brasileiro.

Eliana (Lia)
John Hebert (Carlos)
Trio Irakitan - Edinho, João e Gil
Renato Murce
Catalano
Zezé Macedo
Madame Lou - Rosa Sandrini
Helba Nogueira - Oswaldo Louzada
Ely Augusto - Inah Malagutti
Francisco Moreno - Turco Fernandinho
Luiz Almeida - Ventura Ferreira
Alvaro Costa - Margarida Rumões
Jairo Argileu - Arlindo Duarte
Francisco Santori - Francisco Ciciliano
Mario Loureiro - Flora Almeida
Terezinha Magalhães


10 March 1957 - Rio's Correio da Manhã's columnist lambastes not only 'Rio Fantasia' but the whole Brazilian cinema industry: eight by one (oito-por-um) was the rule the Brazilian government devised to protect the National Cinema Industry from the dumping tactics employed by Hollywood. That meant that a cinema house was under legal obligation to show a Brazilian movie after it had shown 8 foreign products. But the 'cringing-colonized-intelligentsia' that peopled most of Brazilian conservative newspapers were dead against it. They preferred to see a 100% of foreign production. The Brazilian upper-class is notorious for its lack of nationalism. They actually wish they would have been born in New York, London or Paris and are ashamed of their country except the money they get from its labours.


Here's what the columnist wrote:  Oito-por-um - Rio Fantasia - O chamado Cinema Nacional goza de todas as vantagens: exibição obrigatória, preços iguais aos dos filmes estrangeiros (read: US cinema) fotografados em CinemaScope e coloridos, o analfabetismo de 65% da população, a omissão da Censura (que não vê a pornografia e distribui a torto e a direito o certificado de 'boa qualidade'). Assim tão protegido só poderia mesmo produzir indecências como este 'Rio Fantasia'.

Gilvan & Eliana. 

Monday, 30 January 2012

"Êsse milhão é meu" - 1958


"Esse milhão é meu" – filme-comédia de 1958, dirigido por Carlos Manga. Embora seguindo em geral o estilo da chanchada típicas dos trabalhos de Oscarito, o diretor Manga e o roteirista José Cajado Filho inseriram alguns elementos de 'flime noir' americano, principalmente na perseguição final em um prédio abandonado. Nos números musicais: Francisco Carlos e Altamiro Carrilho & sua bandinha.

Felismino Tinoco [Oscarito] é um servidor público dedicado, casado com Gertrudes [Margost Louro]uma mulher megera. Na mesma casa vivem também a sogra faladeira Augusta [Zezé Macedo], Janjão, o sogro dissimulado e Sueli, a sobrinha-estudante, que namora Silvio [Francisco Carlos], seu colega de classe no colégio.

Ao chegar para mais um dia de trabalho, Felismino é surpreendido com a notícia de que ganhara um prêmio de um milhão por te conseguido ir ao trabalho uma semana sem faltar. Os amigos o convencem a ir comemorar o prêmio no Sevilha Club, numa casa noturna. No meio da bebedeira, onde Oscarito dá um verdadeiro show de flamenco, ele se envolve com vedette Arlete [Sonia Mamede], que entra em conluio com seu amante trapaceiro Juscelino [Augusto Cesar Vanucci] para chantageá-lo e ficar com o dinheiro. A sobrinha acaba descobrindo a trama e tenta ajudá-lo lutando contra o bandido, que a sequestra, fazendo com que todo colégio persiga o fascínora num  final apoteótico.


Oscarito [escapulindo], Zezé Macedo e Afonso Stuart.

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Fiquei agradávelmente surpreso ao constatar que Francisco Carlos, também conhecido como 'El Broto' nos tempos dos auditórios da Radio Nacional, convence como ator. Ele encarna bem o papel de Silvio, o colegial namorado de Sueli, um rapaz de bem, contrapondo-se ao mau-caratismo declarado do personagem vivido por Agildo Ribeiro, que faz tudo para complicar a vida escolar dos pombinhos.

Silvio [F.C.] canta 'Flor amorosa' acompanhado pela bandinha de Altamiro Carrilho, que não poderia ter mais que 24 anos então. O número faz parte de um show organizado pelos alunos para arrecadar fundos para a festa de formatura do curso colegial.

Quando Silvio fica sabendo que a namorada fora sequestrada pelo fascínora Juscelino – não se pode ignorar aí uma alusão cabotina ao nome de Juscelino Kubitschek, o Presidente da República em 1958 - começa-se uma típica 'chase' [perseguição] bem ao estilo norte-americano, com lambretistas e carros à toda velocidade, tentando alcançar o bruta-montes competentemente personificado por Cesar Augusto Vanucci,com seu terno preto, camisa prêta e um bigodinho marôto. A rapaziada chega a lembrar os 'play-boys' de então com suas lambretas, como que anunciando que o rock'n'roll chegara p'ra ficar, embora não faça parte da trilha-sonora.

1958 é o ano que a 'youth-culture' – cultura da juventude de inspiração norte-americana  - se firma no Brasil, principalmente entre estudantes de classe média das principais capitais do país.

Francisco Carlos surgiu na hora errada. Se ele tivesse aparecido cinco anos depois, talvez, tivesse já gravado o rock'n'roll em vez de baladas açucaradas ainda do tempo do fox-trot. 


 Sonia Mamede como a boazuda da Arlete.

Elenco:

Oscarito: Felismino Tinoco
Sônia Mamede: Arlete
Miriam Teresa: Sueli, a sobrinha
Francisco Carlos: Silvio
Zezé Macedo: Augusta, a sogra
Margot Louro: Gertrudes, a esposa megera
Afonso Stuart: Janjão, o sogro atrapalhado
Augusto Cesar Vanucci: Juscelino, o fascínora
Agildo Ribeiro: o aluno mau-carácter
Ribeiro Fortes
Armando Nascimento
Derek Wheatley: professor
Altamiro Carrilho

English synopsis:

The life of a civil servant changes radically when he receives a huge prize for being assiduous at work. He gets involved with a showgirl, is wrongly accused of a crime and his niece is kidnapped by a villain.


Saturday, 22 October 2011

NANCY WANDERLEY

Nancy Wanderley nee Stelita de Souza was born on 25 February 1927, in a suburb on the Leopoldina Railway Line from a family that had migrated from Brazil's Northeast draught-stricken area. Her father was too conservative so she had to adopt a pseudonym - Nancy Wanderley - to be able to work as a comedian at radio stations that were booming in the National Capital in the 1940s. 

Miss Wanderley created a few comic characters based on how she saw her own parents Northeastern accents. That was an instant success and Nancy Wanderley was immediately typecast. 

Nancy Wanderley

STELITA DE SOUZA nasceu em um subúrbio da Leopoldina em 25 Fevereiro 1927.

Filha de nordestinos, o pai era oficial da marinha. Sr. Souza não admitia que a filha trabalhasse em radio, porisso ela escolheu o pseudônimo de NANCY WANDERLEY, ganhou o concurso e se profissionalizou.

Criou seu tipo
caricato nordestino imitando pessoas de sua família.

1,70 de altura, 63 kg.

Nancy substituiu Norka Smith, interpretando o papel de Verônica, ao lado de Paulo Gracindo em ‘O casal do barulho’, atuação na qual brilhou tornando-se uma das estrêlas da G-3. (fonte: Revista do Rádio de 11 April 1950).

Fã do motociclismo, pedalava sua bicicleta de São Cristovão a Copacabana; seu lançador em teatro foi Silveira Sampaio, tornando-se a revelação teatral de 1951. Fala bem inglês; cunhada de Reinaldo Dias Leme. Depois de 8 anos na Tupi, foi contratada pela Mayrink Veiga, PRA-9, em 1953.

seção ‘Buraco da Fechadura’ – Revista do Radio 7 July 1953.
Nancy on the pages of 'O Cruzeiro' 1st September 1956
Radio Nacional - 'O Cruzeiro' 21st September 1956.
Nancy Wanderley & Chico Anysio, seu marido.
Chico Anísio & Nancy Wanderley. 

it's almost unbelievable to see Nancy Wanderley playing a sophisticated lady at TV Rio's 'Noites cariocas' alongside Sergio Britto in mid-1963.
Nancy Wanderley in Revista do Radio - 12 May 1953.

'Revista do Radio' - 12 May 1953.