Monday, 6 August 2012

Eliana na revista 'Carioca' - 1950



Eliana na capa da revista Carioca - 2 Novembro 1950.






A  'MISTERIOSA'  ELIANA

Eliana, a festejada estrêla do cinema brasileiro está rodando o seu terceiro filome, com o mesmo elenco de 'Carnaval no fogo'. Neste numero reportagem detalhada em torno da vida da jovem artista nacional. 

Eliana, a loirinha capixaba que Watson Macedo laçou no estrelato há menos de 3 anos, segundo informações que obtivemos de seus amigos. era uma criatura que nunca se definia. 

Muito misteriosa, geralmente triste, parecendo, por isso, encerrar uma grande tragédia em sua vida. E afirmava: não é simulação! Eliana sofre. É muito sensível, não resistindo, portanto, ao que lhe vai n' alma. 

Porém, fomos visitar Eliana em seu apartamento em Niterói-RJ, conversamos demoradamente com ela que, sem deixar transparecer a personalidade de Elza, mostrou que Helena é mais patente em sua vida, tão patente como poderia ser Elza se por acaso sua alma se sentisse envolvida por um grande e nobre sentimento: um amor.

Com tragédia ou não, Eliana demonstra ser uma criatura alegre, sem no entanto fugir a constantes momentos de introspecção. Quando seus olhos se lançam sobre um objetivo, o cérebro trabalha árduamente procurando deduzir, criticar ou julgar. 




Eliana & Grande Othelo em 'E o mundo se diverte' - 1948.

ELIANA  E  O  CINEMA

A vida artística de Eliana começou ha muito tempo; desde colegial que ela sabia que seria artista de cinema. Sendo sobrinha do diretor Watson Macedo, êste, quando Eliana ainda era uma criança, descobriu a sua veia artística, ficando convicto de que a então Eli Macedo poderia se tornar uma grande artista. 

Eli representava muito bem na escola: declamava e cantava musicas populares, predicados êsses que lhe valeram um contrato com a Radio Nacional. E Watson decidiu: ela será uma artista! Tempos depois, já moça, o titio diretor chamou-a e disse: - 'É chegado o momento!'

Tudo estava preparado, menos Eliana, que relutava, achando que seria dificil, além disso ela estava enamorada... quase noiva.

Tratava-se do filme 'E o mundo se diverte', produção de 1948, em que a jovem trabalhou, como até hoje, ao lado de Anselmo Duarte, que a artista reputa o melhor ator do cinema nacional. Assinou um contrato com a Atlântida e, depois das filmagens iniciais, sucedeu um imprevisto. Eliana foi ver-se na tela e quase chorou. Que decepção! Achava que o espêlho era mais fiel, teve desejos de desistir, mas já era tarde pois a companhia não quis rescindir o contrato nem perder o dinheiro empregado na pelicula. Contudo, essa má impressão desapareceu em 'Carnaval no fogo' de 1949, onde Eliana conheceu Francisco Carlos, que andou enamorado da artista. 

Aliás, Eliana é feliz nesse particular. Possui grande numero de admiradores, recebe propostas de casamento, sem que essas propostas exerçam qualquer influência sôbre seu espírito. Gosta de cinema e o coloca acima de tudo. Prova o que dizemos o seu noivado posterior à carreira artísta e que desapareu queimado pelas cinzas de 'Carnaval no fogo', queimado pelos ciúmes de um homem que não se conformava com os beijos artísticos do cinema, que apesar de tudo, não deixar de ser beijos...

O  TERCEIRO  FILME

Eliana está rodando, agora, a sua terceira película na Atlântida. Trata-se do carnavalesco 'Aviso aos navegantes'. Watson Macedo escolheu os mesmos atores que trabalharam em 'Carnaval no fogo', o maior sucesso do gênero comédia-musical feito no Brasil. Veremos nêle a simpática Adelaide Chiozzo e, provavelmente, Silvinha Chiozzo, a maravilhosa garota que promete deixar Adelaide no rastro. Esperemos, pois.

AS  PALAVRAS  DE  ELIANA

Passamos 3 horas em casa de Eliana, ao lado de sua mãe, uma senhora simpática e bondosa, que sabe também fazer café. Várias amigas de Eliana se encontravam no apartamento. Eliana, sempre alegre, contava-nos detalhes de sua vida, com uma discrição inacreditável. Geralmente os artistas, mesmo confidencialmente, fazem comentários sobre a arte e a personalidade dos amigos. Eliana, não. Provocávamos sua lingua, que talvez coçasse... mas Eliana não foge aos seus princípios, respeitando, o que é raro, a vida dos colegas.

Depois do cafézinho, Eliana fez algumas declarações. Incialmente desmentiu êsse mistério que paira em torno de seu nome. Depois, com naturalidade, afirmou que para ela não existe passado nem futuro. Não pretende se casar.

Pelo menos até o presente o seu principe não foi desencantado. Perguntamos: -  'E o futuro artístico?

- O futuro está nas mãos do futuro. Preocupo-me bastante com o dia de hoje. Amanhã é amanhã. Não se pode viver se se vive perdido em cogitações...

Apesar disso, notamos que Eliana estava evitando fumar por ter que cantar logo mais. Bem, ainda se tratava do presente. Mas, a dieta relativa da artista?...

Eliana, a garota realista e agradável não está comendo o bastante, à vontade, porque não quer engordar. Pesa 52 quilos e quer se agüentar nisso mesmo. Por acaso isso não é futuro?

Talvez não, porque o objetivo da moça é continuar com o presente pêso, cinqüenta e dois quilos. 


Revista Carioca  - 2 Novembro 1950.
reportagem: Vinicius Lima
fotos: Domingos Pereira  




Eliana e sua mãe no apartamento em Niterói-RJ.



Eliana e seu vira-lata favorito, encontrado numa rua de Niterói, junto a seu fiel aparelho de radio. Em 1950 ainda não existia televisão no Brasil. 

Sunday, 5 August 2012

'Titio não é sopa' - 1960

3rd April 1960 - Atlântida's 'Titio não é sopa' opens in 17 movie houses in Rio de Janeiro-DF. 

Eliana, Procópio Ferreira, Herval Rossano e Ronaldo Lupo.
a filha adotiva entra no esquemão de Paulo (Herval) mais que depressa, para poder se apresentar como cantora na boite do namorado embrulhão.

Titio Não é Sopa - 1960

Procópio Ferreira (Gregorio)
Eliana Macedo (Verinha, enteada do titio, que herdará metade da fortuna)
Herval Rossano (Paulo de Almeida Rios, sobrinho herdeiro da outra metade da fortuna)
Ronaldo Lupo (Luiz, acaba se tornando mordomo-de-araque)
Nancy Montez (July, co-proprietária da boite 'Casablanca'; vigarista)

Zélia Guimarães (Isaltina, empregada da casa)
Afonso Stuart (Amaro, dono da casa, que acaba sendo cozinheiro-de-araque)
Delfim Gomes (pedreiro da obra da fabrica de biscoitos, 'disfarçada' de asilo)
Grace Moema (Emengarda)
Sônia Morais (Aurora)
José Policena (engenheiro da fábrica de biscoitos)

Rafael de Carvalho (Azevedo)
Paulo de Carvalho (Gaspar)
Grijó Sobrinho (o vizinho)
Angelito Mello (Paranhos)
Azelita Ivantes (Beatriz)
Luiz Mazzei (garçom)
Chiquinho (garçom)
Wilson Grey  (detetive contratado pelo tio)

Nancy Montez (Julie) e Herval são sócios da boite Casablanca. 

83 min.
Altântida Cinematográfica & Cinedistri
direção: Eurides Ramos
roteiro: Eurides Ramos e Victor Lima
música: Radamés Gnatalli e Vicente Paiva
produção: Oswaldo Massaini e Cinedistri
assistente de produção: João Macedo
coreografia: Helba Nogueira

Procópio Ferreira, Ronaldo Lupo e Afonso Stuart ... muita confusão.
Ronaldo Lupo, Herval Rossano e Nancy Montez... muita vigarice e confusão.
Verinha (Eliana) dá uma surra na Julí, numa das melhores cenas de briga feminina que já assisti no cinema nacional.

Com base na peça teatral "Titio não é sopa" (também conhecida como "Aí vem a Aurora", "Seu Gregório chegou", "Espírito de porco" e "Amigo da onça"), de Henrique Marques Fernandes.

Números musicais:

"Quero beijar-te as mãos" guarania (Arcênio de Carvalho e Lourival Faissal) com Anísio Silva

"Mamãe eu quero" fantasia (Jararaca - Arranjo de Vicente Paiva e José Calazans, com orquestração de Pachequinho) com Eliana Macedo

"Baiano burro nasce morto" (Waldeck Artur de Macedo) com Gordurinha e Mário Tupinambás.

Anísio Silva canta 'Quero beijar-te as mãos', o disco mais vendido de 1959.

Eliana, a filha adotiva, Herval Rossano, o sobrinho malandro, titio disfarçado de norte-americano, o sogro do Luiz [Ronaldo Lupo] e o próprio vigarista disfarçado de mordomo numa farsa das mais engraçadas.

Em 1959 o Brasil vivia quase que um sonho. Vivíamos a esperança do amanhã feliz, tendo ganhado a Copa do Mundo de Futebol em 1958, e nossa parada de sucesso sendo das mais interessantes do mundo. O cinema nacional vivia quase que um apogeu pré-cinema-novo. Eliana estrelava em mais uma comédia junto agora de Herval Rossano, o galã mais atraente do momento, tanto que foi amante de Bibi Ferreira, Sylvia Telles e muitas outras divas. Além de Herval tínhamos o Ronaldo Lupo, que não era de se jogar fora.

A farsa é das mais inconsequentes, mas com tudo para dar certo. Tio Gregória vem lá do interior visitar o sobrinho Paulo, com o qual ele deixou a incumbência de construir um abrigo para velhinhos. Paulo, que é pistonista, está de amores com July, uma vigarista da noite, e acaba comprando uma boite [Casablanca] com ela, onde ele próprio se apresenta todas as noites.

No final, o velho descobre toda a trama, finge-se de empresario norte-americano que quer comprar a boite. Justo nessa noite, sua querida enteada estréia no night club... e o número apresentado é, talvez, um dos mais bem elaborados do cinema nacional. Uma fantasia inspirada em 'Mamãe eu quero', de Jararaca, com um arranjo sensacional de Vicente Paiva e José Calazans, e orquestração do maestro Pachequinho. Eliana canta  ao lado de um clarinetista vindo direto de filme hollywoodiano; um pistonista dos mais eróticos, um contra-baixista que sabe mexer com suas cordas. Um número musical do mais sensual possivel... tudo alí exala testosterona misturado com a estrogerona da Eliana, numa saia mais mini que a da Mary Quant. O final do número mostra um Herval Rossano soprando um piston e querendo alcançar um climax, que mais parece um orgasmo... quando ele, enfim, consegue atingir a nota mais alta ... uma das moças desmaia. Não sei como esse número musical não se tornou um clássico instantâneo. Se fôssemos norte-americanos, certamente teria entrado para o hall dos clássicos eternos.

Herval sopra seu piston com alma...

apoteose musical feita com muita sensualidade...
a confusão final é hilária... as esposas de Luiz e Amaro mandam ver com pau de macarrão nas mãos

Sunday, 29 July 2012

'Na corda bamba' - 1957

Zé Trindade & Arrelia (Waldemar Seyssel).
Na Corda Bamba; Distribuição: Unida Filmes e Cinedistri; 
Direção: Eurides Ramos; Assistente de direção: Roberto Duval;  
Argumento: Arnaldo Morgantini;  Roteiro: Alinor Azevedo e Eurides Ramos;  
Produção: Osvaldo Massaini;
co-produção da Cinelândia Filmes e Cinedistri;
música: Radamés Gnattali
direção de números musicais: Hélio Barrozo Netto
estréia no Cine Metro.


Arrelia, Iris Delmar e Zé Trindade.
Arrelia faz o papel de um afinador-de-piano, que aqui aproveita e faz um showzinho particular dentro de uma estação de TV. Na cena anterior, quem estava sentado ao piano, ensaiando os bailarinos era o maestro Enrico Simonetti, que em 1957 estava envolvido em todo tipo de atividade cultural musical no Brasil.

Arrelia (Arreliá Pacífico de Oliveira Sossegado)
Zé Trindade
Ema D'Avila (Baronesa Zaira)
Roberto Duval (cigano Botazzo)
Íris Delmar (Clara)

Wilson Grey (Ignácio)
Teresinha Amayo (Terezinha)
Moacyr Deriquén (Walter)
Solange França (Carolina)
Benito Rodrigues (caixa do cassino)

Marilene Silva (Sofia)
Rodolfo Arena (malandro)
Grijó Sobrinho (policial)
Lélia Verbena (2a. empregada da baronesa)
Ferreira Leite (padre Mateus)
João Péricles (carcereiro)

Elizeth Cardoso
Monsueto Menezes
Walter D'Avila e suas Melindrosas.


Ema D'Avila como a rainha-cigana da Rutilandia, cujo amuleto desaparecera - Arrelia & Zé Trindade.
a dupla de bandidos: cigano Botazo & comparsa.
o colar da rainha da Rutilândia está escondido dentro do litro de leite.
Elizeth Cardoso & Monsueto Menezes em elaborado numero musical.
Elizeth Cardoso na Hollywood brasileira...
show sensacional na boite 'Bemtevi'.
de-repente o samba se transforma em rock'n'roll...

Sunday, 8 July 2012

'A pensão da Dona Stela' - 1956

cartaz de 'A Pensão da dona Stela', filmado pela Maristela em 1956, tendo Randal Juliano como galã e Liana Duval como a 'gostosa'; Maria Vidal é a dona Stela... viúva.


A história mostra as trapaças de Nhonhô (Jayme Costa) e dona Stela (Maria Vidal), numa pensão, à beira da falência, onde desfilam os mais diferentes personagens: uma mulher solitária que escreve cartas para si mesma, um vigarista monarquista que acaba aderindo ao republicanismo (Adoniran Barbosa), um conjunto musical (Os Modernistas), um médico desempregado (Randal Juliano), um jogador de futebol e duas cantoras de rádio; a primeira, filha da dona (Liana Duval) se torna 'Rainha do Samba' e a segunda, a faxineira da pensão torna-se 'Rainha dos Auditórios' - além de sonhar em ser Alda Perdigão, que aparece cantando 'Os pobres de Paris'. No final a pensão consegue sobreviver com os 200 mil cruzeiros ganhos pela faxineira, que se torna sócia da pensão.


Jayme Costa é o Nhonhô, mistura de vigarista e ocioso... aí com Zazá [Lola Brah], que tb. estava procurando 'vida fácil'.
Randal Juliano e Liana Duval é o par romântico. Ele médico desempregado e ela cantora do radio frustrada.
a faxineira que se torna cantora e vence o concurso 'Rainha dos Auditórios'... aqui canta 'Piu piu'.
Zuza, o filho de dona Stela consegue jogar na Seleção e marcar gol contra a Argentina.
Quase tudo arrumado no final: Nonhô casa-se [secretamente] com d. Stella... o médico desempregado [Randal Juliano] fica com a filha de dona Stela; Siqueira, o monarquista vira republicano e casa-se com sua irmã-de-araque Zazá... a mulher que escrevia cartas para si própria fica com o carteiro... e a faxineira se torna cantora de rádio.

a filha de dona Stella [Liana Duval]... o radio não funciona no dia do jogo do Brasil com a participação do Zuza.


23rd September 1956 - Hungarian director Ferenc Fekete's 'A pensão da Dona Stela' starring Jayme Costa & Maria Vidal, with Liana Duval, Randal Juliano, Adoniran Barbosa, Lola Brah and Marcia Vasconcellos. 

A Pensão de Dona Estela - 1956

Jayme Costa  (Nhonhô)
Maria Vidal  (dona Stela)
Liana Duval (filha da dona Stela)
Lola Brah  (Zazá, vigarista de plantão)
Adoniran Barbosa  (Siqueira, vigarista monarquista)
Randal Juliano  (médico desempregado)
Carlos Araújo
Ayres Campos  (massagista)
Márcia Vasconcelos
Os Modernistas (acompanham Liana Duval e a faxineira)


Carmélia Alves  (canta um baião na boite) - Jimmy Lester
Alda Perdigão (canta 'Pobres de Paris')
Jane Batista - Walter Ribeiro dos Santos
Ricardo Bandeira - Eva Bosch
Osmano Cardoso - Zulma Maria
Jambura e Sua Escola de Samba

estréia:  12 Fevereiro 1956.
distribuição: Columbia Pictures do Brasil
direção: Alfredo Palácios e Ferenc Fekete
roteiro: Alfredo Palácios
produção: Cinebrás Filmes, Andras Kalman, Alfredo Palácios e Cinematográfica Maristela
música: Vicente de Lima
Iluminação: Ferenc Fekete
fotografia: Ferenc Fekete
desenho de produção: Carlos Giacheri
edição: João de Alencar e José Cañizares.


Maria Candida dos Santos Vidal * 24 November 1905, in Rio de Janeiro  + 14 May 1963, in São Paulo... 

Friday, 6 July 2012

HELOISA HELENA


28 outubro 1917 no Rio de Janeiro-DF; + 19 junho 1999.

3rd July 1937.
Carioca, 27 March 1943, # 390.

Heloísa Helena de Almeida Lima era filha de Octavio de Almeida Lima, advogado e alto funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro-DF.  Na infância estudou com uma governanta o idioma inglês. Logo, começou a cantar e tocar violão.

Cesar Ladeira, o maior radialista do Brasil, ouviu Heloisa cantar na Rádio Roquete Pinto, e imediatamente a levou para a Radio Mayrink Veiga, a mais popular do Distrito Federal, onde passou a cantar músicas em inglês.

Em 1936, aparece no histórico"Alô, alô, carnaval!" com "Tempo bom", parceria dela própria com João de Barro e interpretada pelo grupo Os Bêbados.

Estreou em discos pela Victor em 1937, gravando "Samba da vida", de Valfrido Silva, acompanhada dos Diabos do Céu de Pixinguinha e o samba-fox "Numa roda de samba", de sua autoria. Ambas canções aparecem no filme "Samba da vida" da Cinédia dirigido por Jayme Costa.

Em 1940, gravou as marchas "Sarong", de Osvaldo Santiago e Jorge Murad e "Marinheiro", de Alvarenga & Ranchinho com acompanhamento da Orquestra Odeon.

Cantou nos cassinos Copacabana, da Urca, e Atlântico. No início da década de 1940, foi para os Estados Unidos em um intercâmbio cultural da Embaixada norte-americana. Ficou vários anos em New Orleans, o que acabou por interferir em sua carreira discográfica.

Voltando ao Brasil em 1951, é convidada por Chianca de Garcia a ingressar na recém-inaugurada TV Tupi do Rio, participando de 'Um bonde chamado desejo''A Rosa Tatuada' e outros tele-teatros. Foi também apresentadora de "Sessão das Cinco", programa de variedades.

Em 1955, participou do filme "Chico Viola não morreu" uma biografia romanceada do cantor Francisco Alves dirigida pelo argentino Roman Viñoly Barreto.

Eva Todor, Heloisa Helena & Sonia Oiticica. 

Revistas Carioca de 30 Novembro 1950.
Heloísa Helena e o teatrólogo Paulo de Magalhães, seu marido.
Heloísa Helena, Paulo de Magalhães e Vicente Celestino.
Gilda de Abreu, Heloisa Helena e Paulo de Magalhães.

A nota sensacional do mês de Novembro de 1950 foi o desligamento de Heloisa Helena da Companhia Jayme Costa. A separação, como os jornais noticiaram deu-e em Salvador-BA envolvendo também a figura popular de Paulo de Magalhães, marido de Heloisa, que é o 'autor mais representado no Brasil'.

No saguão do Teatro Recreio, quando se preparavam para assistir à sessão das 22 horas, Paulo confirmou: 'Foi aquilo que Raimundo Magalhães  noticiou em 'A Noite'. Heloísa não estava presa por contrato. Ela está esperando um 'baby', e em Salvador sua saúde ficou abalada devido aos meses que estão avançando. Eu disse ao Jayme que minha mulher teria de interromper a 'tournée' e voltar ao Rio. Ele não compreendeu. Discutiu. Gritou. Veio, então, um rompimento nada amigável. Se o Jayme tivesse mais senso, mais compreensão, teríamos evitado isso."

Um dos resultados dessa briga, foi a proibição a Jayme Costa, intérprete de tantas criações de sucesso, de representar as peças de Paulo Magalhães. Perde com isso o teatro nacional, não há duvida. Bastidores aguarda que a concórdia volte a reinar entre todos.

Paulo e Heloísa estão satisfeitíssimos com o breve nascimento de mais um herdeiro. Se for homem será batizado com o nome de Clovis Paulo de Magalhães, em homenagem ao pai de Paulo de Magalhães. Se for menina... 'Bem, nós não esperamos menina', disse Heloísa.

texto e fotos de Ney Machado.
revista Carioca de 30 Novembro 1950.
Carioca 7 Setembro 1950 - completou 9 anos em 23 Agosto 1950 a encantadora Nadja Naira Gloria, filha do escritor Paulo de Magalhães e da aplaudida 'estrêla' Heloisa Helena.
revista Radiolândia de 3 Setembro 1955.

HELOÍSA HELENA QUIROMANTE E CARTOMANTE

 
Como todos sabem, tenho duas filhas; uma com 13 e outra com 4 anos. A mais velha não quer saber de nada que se relacione com arte. Já a mais novas, Laila, parece que herdou meu gênio e o dinamismo do pai. Sempre que aparece uma oportunidade de tirar um retrato, ela não perde a oportunidade de sair nas fotografias.

Quando foram iniciadas as filmagens do filme 'Chico Viola não morreu', soube que havia um papel destinado a uma criança. A mesma pessoa que me falou sobre a existência desse papel perguntou-me: 'Por que você não leva a Laila para fazer um teste?'

Fui falar com Vignolli, o diretor principal do filme, o qual aprovou inteiramente a minha opinião, ficando acertado que Laila tomaria parte do filme. O que eu não sabia, e que o Vignolli não teve coragem de me dizer, era que ele estava procurando, tb., uma artista para fazer o papel de cigana no filme. Como fôsse um papel muito pequeno, não teve coragem de me convidar, pensando talvez que não me intessasse. Carlos Manga, entretanto, não pensou assim e convidou-me para interpretar o papel, tendo eu aceito incontinenti.

Eu nasci sob o signo de Scorpio e todo escorpiniano tem curiosidade sobre as coisas do além. Gostam de mistérios, adoram a cartomancia e quiromancia. Desde criança somos dotados de uma, como direi, de uma certa intuição. Esse o motivo pelo qual aceitei o papel, que, embora muito pequeno, estava perfeitamente identificado com a minha personalidade.

O papel da cigana feito por mim, representa, naturalmente, o destino do grande cantor que foi Chico Alves. Tive que interpretar fielmente uma verdadeira cigana dotada da faculdade de prever o futuro.

E você sabe mesmo ler mãos? Dessa eu não sabia.

Pois fique sabendo. E fique sabendo mais ainda. Também sei ler a sorte através das cartas de um baralho.

E o que dizem as linhas da mão, Heloísa?

A mão humana é dotada de 5 linhas principais, que são: a linha da vida, a do coração, a da sorte, a da cabeça e a da arte. Há outras de menor importancia, como, por exemplo, o monte de Vênus. Assim é que quando a linha da cabeça é forte, com sulco profundo, revela que a pessoa é intransigente, teimosa, obstinada. Já a do coraação, quando se apresenta encadeada e cheia de pontinhos escuros, é sinal de que a pessoa tem vida amorosa muito intensa ou, então, sofre de moléstia de origem cardíaca. A linha da sorte poder ser curta ou cortada pelas do coração e da cabeça. Quando é perfeitamente reta, indica vida estável da pessoa. Quanto à linha da vida, quando quase invísível ou interrompida, revela que seu possuidor é fraco, sem personalidade ou, então, doente. Devo, entretando, frizar que o que disse a você não é precisamente um estudo sobre as linhas das mãos. É apenas um resumo geral para dar uma idéia da quiromancia. Somente estudando a mão é que se pode afirmar com segurança o que dizem as linhas.

E a linha da arte, Heloísa, o que revela?

Quando a linha da arte é profunda e cheia de cortes, a vida artística da pesso vai sofrer, ou já sofreu, inúmeras interrupções. Esta linha pode ser influenciada, tb., pela linha do coração, o que aconteceu comigo. Como você deve saber, fui obrigada a abandonar o teatro em 1950, quando estava esperando minha filha Laila, pois o teatro deve ser encarado com toda a dedicação e é imcompatível com a vida do lar. Assim, não titubeei, e nem encarei mesmo o fato como um dilema. Abandonei o teatro e passei a dedicar-me inteiramente ao meu mister de mãe. E hoje mesmo, embora trabalhe na Radio e TV Tupi, vivo mais para o meu lar, minhas filhas e meu espôso, do quer propriamete para minha carreira.

E sobre sua vida familiar, Heloisa, como você a encara?

Ótimamente. Vivo imensamente feliz com meu espôso que me orienta e me estimula. Jamais impediu ou tentou impedir que eu me dedicasse à vida artística, pois sendo jornalista, teatrólogo, escritor e homem de radio, Paulo Magalhães, compreende perfeitamente a minha inclinação e só dá opinião para me orientar na carreira.

texto de Paulo Siqueira fotos: Wilson Lopes.

text on the right (and below) was published at 'Correio da Manhã' on 13 March 1960.
'Correio da Manhã' 13 March 1960. 
Heloisa Helena participa do programa 'What's my line?' em 16 Dezembro 1956, na TV norte-americana. 
reportagem da revista 'A Cena Muda' de 29 Abril 1941.
Heloisa visita a redação de 'A Cena Muda', que havia mudado de 'A Scena Muda', recentemente devido a revisão ortográfica.
Heloisa Helena fotografada por Wilenski, em Buenos Aires, quando de sua recente visita à Argentina em viagem de núpcias, após seu casamento com Paulo Magalhães.
Carta endereçada à Heloisa Helena pelo fã Carmelino Calaia, procedente dos Correios de Angola, Africa Portuguêsa. A fama de Heloisa atravessa o Oceano Atlântico e liga dois povos.
Heloisa Helena na revista Carioca de 17 Novembro 1945.
Heloísa Helena e sua inconfundível assinatura-garrancho... 1939.
Suzy Kirby & Heloisa Helena.
'Correio da Manhã' 10 December 1960.